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Programas de facturação certificados pela AT: como escolher

A escolha de um programa de facturação certificado pela Autoridade Tributária (AT) é uma decisão fundamental para qualquer empresa em Portugal. Não se trata apenas de uma questão de conformidade legal, mas de um investimento estratégico que pode impactar significativamente a eficiência operacional, a segurança dos dados e a tranquilidade fiscal da sua organização. Neste artigo, exploramos como seleccionar a solução mais adequada às suas necessidades específicas.

Por que escolher um programa de facturação certificado?

De acordo com a legislação portuguesa, especificamente o Código do Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares (CIRS) e o Código do Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Colectivas (CIRC), a obrigatoriedade de utilizar sistemas de facturação certificados aplica-se a praticamente todas as entidades que emitem facturas. Esta exigência não é meramente burocrática — representa um marco importante na segurança fiscal e na transparência das operações comerciais.

Os programas certificados pela AT proporcionam várias vantagens concretas:

  • Conformidade legal garantida: Os sistemas certificados cumprem todas as exigências da legislação tributária portuguesa, incluindo a obrigatoriedade de preservação de informações e a integração com a Autoridade Tributária.
  • Integridade de dados: Os programas certificados utilizam mecanismos de criptografia e assinatura digital que garantem a autenticidade das facturas emitidas.
  • Segurança de armazenamento: Os dados de facturação são protegidos contra alterações não autorizadas, um requisito fundamental estabelecido no Decreto-Lei n.º 198/2012.
  • Redução de penalidades: O uso de sistemas não certificados pode resultar em multas que variam entre 250€ e 15.000€, dependendo da gravidade da infracção.
  • Facilidades administrativas: A integração automática com o SAF-T (Standard Audit File for Tax) simplifica as obrigações fiscais e a entrega de declarações à AT.

Nota importante: A partir de 1 de Janeiro de 2026, a AT atualizou os critérios de certificação dos programas de facturação. Todas as empresas devem assegurar que o seu software está registado no sistema de certificação vigente e receberam a confirmação formal da AT.

Requisitos legais para programas de facturação certificados

A legislação portuguesa, particularmente através do Decreto-Lei n.º 198/2012 e das regulamentações complementares da AT, estabelece um conjunto de requisitos técnicos e funcionais que todos os programas de facturação certificados devem cumprir.

Requisitos técnicos fundamentais

  1. Emissão eletrónica de facturas: O sistema deve permitir a geração automática de facturas com todos os elementos obrigatórios conforme a Diretiva 2010/45/UE e a sua transposição no direito português.
  2. Preservação de informações: Todos os registos devem ser conservados durante um período mínimo de 4 anos, em formato digital, com acesso rápido e legível.
  3. Segurança criptográfica: Os programas devem implementar assinatura digital baseada em certificados válidos, preferencialmente com qualificação eIDAS (Regulamento UE 910/2014).
  4. Integração SAF-T: O sistema deve ser capaz de exportar ficheiros em formato SAF-T PT conforme especificado pela AT.
  5. Rastreabilidade: Deve existir um registo detalhado de todas as operações, incluindo data, hora, utilizador e alterações realizadas.
  6. Conformidade CIVA: Para empresas sujeitas ao Código do Imposto sobre o Valor Acrescentado, o programa deve registar corretamente a taxonomia IVA (taxas a 23%, 13%, 6% e isento).

Elementos obrigatórios em cada factura

Um programa certificado deve garantir que cada factura emitida contém os seguintes elementos:

  • Número sequencial único e identificação do documento
  • Data de emissão e período de prestação de serviço
  • Identificação completa do fornecedor e do cliente (nome e NIF)
  • Descrição dos bens ou serviços prestados
  • Preços unitários, quantidades e montantes totais
  • Taxa de IVA aplicada (com discriminação por tipo de taxa)
  • Montante total da factura em euros
  • Condições de pagamento e referência a documentos relacionados
  • Assinatura digital ou certificação de autenticidade

Critérios para escolher o programa ideal

A seleção de um programa de facturação não deve ser baseada apenas no preço. Múltiplos fatores devem ser considerados para garantir uma solução adequada ao seu negócio.

1. Tamanho e tipo de empresa

O volume de facturas emitidas mensalmente é um indicador crucial. Uma micro-empresa que emite 50 facturas por mês tem necessidades muito diferentes de uma PME que emite 5.000 facturas.

Exemplo prático: Uma empresa de consultoria com 3 colaboradores e faturação média de 80 facturas mensais pode utilizar uma solução em cloud de baixo custo (entre 20€ e 50€/mês). Por outro lado, uma empresa de distribuição com 2.000 facturas mensais necessitará de uma solução mais robusta, com suporte de integrações e possível instalação local (custo aproximado de 200€ a 500€/mês).

2. Funcionalidades adicionais necessárias

Além da facturação básica, considere se necessita de:

  • Gestão de stocks integrada
  • Controlo de despesas e recibos
  • Integração com sistemas de gestão empresarial (ERP)
  • Portal de cliente para consulta de facturas
  • Emissão de documentos de transporte (guias de remessa)
  • Relatórios contabilísticos avançados
  • Integração com plataformas bancárias para reconciliação automática
  • Suporte multidivisional ou multiempresa

3. Modelo de acesso e instalação

Existem três modelos principais:

Modelo Características Vantagens Desvantagens Custo indicativo
Cloud (SaaS) Acesso por navegador, sem instalação local Acesso remoto, atualizações automáticas, backup automático, baixa manutenção Dependência de internet, menor controlo dos dados 20€-150€/mês
Desktop/Local Software instalado no computador Funcionamento offline, controlo total dos dados, sem dependência de internet Manutenção manual, backups manuais, menos mobilidade 200€-1.000€ (licença única) + manutenção
Servidor Dedicado Software instalado em servidor próprio ou contratado Escalabilidade, multiutilizador, controlo total, segurança configurável Custo inicial elevado, requer TI especializado 500€-3.000€/mês

4. Certificação e compliance fiscal

Verifique se o programa está inscrito na base de dados de programas certificados pela AT. Pode consultar a lista completa no portal eFactura.gov.pt. A certificação deve incluir:

  • Código de certificação único atribuído pela AT
  • Data de certificação e validade
  • Versão específica do software certificada
  • Conformidade com legislação fiscal vigente em 2026

5. Suporte técnico e assistência

O suporte disponível é fundamental, especialmente em situações de urgência. Avalie:

  • Disponibilidade horária: Suporte 24/7, horário comercial ou durante horas limitadas?
  • Canais de contacto: Telefone, email, chat, ticketing?
  • Tempo de resposta: Qual é o tempo médio de resposta a problemas críticos?
  • Idioma: Suporte em português (essencial para conformidade fiscal)?
  • Formação: O fornecedor oferece formação inicial aos utilizadores?
  • Documentação: Manuais, tutoriais vídeo e FAQs disponíveis?

6. Custos totais de propriedade

Não considere apenas o preço do software. Inclua na sua análise:

  1. Licença ou subscrição mensal
  2. Custos de implementação e configuração inicial
  3. Formação de utilizadores
  4. Suporte técnico e manutenção anual
  5. Custos de integração com outros sistemas
  6. Atualizações e novas versões
  7. Possível custo de migração de dados de antigos sistemas

Exemplo de cálculo: Um programa que custa 30€/mês representa 360€ anuais, mais um custo de implementação de 200€ no primeiro ano. Contudo, se incluir formação (500€), integração com o seu sistema bancário (300€) e suporte prioritário (120€/ano), o custo real anual passa para aproximadamente 1.480€ no primeiro ano e 480€ nos anos subsequentes.

Principais programas certificados em Portugal (2026)

Existem várias opções no mercado português. Algumas das soluções mais populares e bem estabelecidas incluem:

  • Programa A: Solução em cloud com foco em pequenas e médias empresas, entre 25€-60€/mês.
  • Programa B: Software desktop tradicional com forte integração contabilística, entre 200€-400€/ano de subscrição.
  • Programa C: Plataforma empresarial com ERP integrado, entre 500€-2.000€/mês, adequada para empresas de maior dimensão.
  • Programa D: Solução open-source certificada, com custo zero de licença mas requerendo TI interno para manutenção.

Aviso: Não recomendamos programas baseados em sistemas não certificados, mesmo que pareçam mais económicos. As multas por não conformidade fiscal podem atingir valores significativos e prejudicar a reputação da sua empresa.

Processo de implementação e migração

Ao mudar para um novo programa de facturação certificado, siga este processo estruturado:

Fase 1: Preparação (2-3 semanas)

  • Auditar todas as facturas emitidas no ano anterior
  • Compilar lista de clientes e fornecedores com NIF
  • Documentar fluxos de facturação atuais
  • Identificar integrações necessárias com outros sistemas

Fase 2: Configuração (2-4 semanas)

  • Instalar ou ativar o novo programa
  • Configurar dados da empresa (NIF, morada, contactos)
  • Definir taxas de IVA e categorias de produtos/serviços
  • Importar dados de clientes e fornecedores
  • Testar emissão de facturas de exemplo

Fase 3: Formação (1-2 semanas)

  • Treinar utilizadores com dados reais
  • Praticar procedimentos de cópia de segurança
  • Testar relatórios e exportações
  • Validar conformidade com legislação

Fase 4: Implementação (1 semana)

  • Começar a utilizar o programa em produção
  • Monitorar funcionamento nas primeiras facturas
  • Manter suporte técnico ativo e disponível

Boas práticas na utilização de programas certificados

Após implementação, mantenha boas práticas:

  • Backups regulares: Realize cópias de segurança diárias, mesmo em soluções cloud (para camadas adicionais de proteção).
  • Segurança de acesso: Defina perfis de utilizador com permissões apropriadas.

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