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Programas de facturação certificados pela AT: como escolher o melhor

A escolha de um programa de facturação certificado pela Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) é uma decisão crucial para qualquer empresa em Portugal. Não se trata apenas de uma questão de conformidade legal, mas de um investimento que afecta directamente a eficiência operacional, a segurança dos dados financeiros e a tranquilidade do gestor. Neste artigo, vamos ajudá-lo a compreender o que torna um software de facturação legítimo, quais são os critérios de avaliação mais importantes e como fazer a melhor escolha para o seu negócio.

O que é um programa de facturação certificado pela AT?

Um programa de facturação certificado pela AT é uma solução de software que cumpre rigorosamente os requisitos legais definidos pela Autoridade Tributária e Aduaneira portuguesa. Este software deve garantir que todos os documentos de facturação emitidos estejam em conformidade com a legislação fiscal vigente, nomeadamente o Código do IVA (CIVA), o Regime de IVA na Fonte e as normas estabelecidas na Lei n.º 25/2009, de 5 de Junho, que define os requisitos para a facturação electrónica.

Nota importante: A certificação pela AT não é obrigatória para todos os softwares de facturação, mas recomenda-se vivamente a sua utilização para evitar irregularidades fiscais que podem resultar em coimas significativas. Empresas com volume elevado de transacções devem absolutamente optar por soluções certificadas.

O software certificado garante que os elementos obrigatórios de uma factura — como número sequencial, data, identificação do cliente e fornecedor, descrição do serviço ou produto, valor das prestações, imposto retido e IVA — estejam correctamente registados e transmissíveis à AT através da Declaração Periódica de IVA (IVA-23).

Porque escolher um programa certificado?

A resposta é simples: conformidade legal e segurança fiscal. Segundo a legislação fiscal portuguesa, a utilização de um programa não certificado pode originar:

  • Coimas administrativas: desde €100 até €15.000, dependendo da gravidade da infracção (artigo 127.º do Código da Administração Fiscal)
  • Rejeição de facturas: a AT pode não aceitar documentos emitidos fora dos padrões estabelecidos
  • Multas por falta de cumprimento: se não cumprir obrigações de retenção na fonte ou emissão de documentos válidos
  • Dificuldades na auditoria: registos deficientemente documentados podem suscitar questões durante inspecções fiscais
  • Perda de credibilidade: junto de clientes, fornecedores e entidades reguladoras

Utilizar um programa certificado é, portanto, investir na sustentabilidade fiscal da sua empresa e na redução de riscos de litígio com as autoridades.

Principais critérios de avaliação

1. Certificação pela AT

Antes de qualquer outra análise, verifique se o software está na lista oficial de programas certificados pela AT. Esta lista está disponível no portal da AT (www.portaldasfinancas.gov.pt) e é actualizada regularmente. Não assuma que um programa é certificado — confirme sempre.

2. Conformidade com legislação fiscal

O programa deve cumprir:

  • CIVA (Código do Imposto sobre o Valor Acrescentado): incluindo regimes especiais (SAC, VIES, e-commerce)
  • CIRC (Código do Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Colectivas): para despesas dedutíveis e registos de receita
  • CIRS (Código do Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares): se for um profissional independente
  • Documentos de retenção na fonte: recibos de retenção, se aplicável
  • Declarações obrigatórias: SAF-T (ficheiro de auditoria padrão), IVA-23, Recapitulativa, etc.

3. Funcionalidades essenciais

Procure software que inclua:

  • Emissão de facturas com numeração sequencial automática: conforme artigo 36.º do CIVA
  • Registo de clientes e fornecedores: com validação de NIF
  • Cálculo automático de impostos: IVA, retenção na fonte, imposto de selo, quando aplicável
  • Gestão de recibos e notas de crédito: com rastro de modificações
  • Exportação de ficheiros SAF-T: em formato XML compatível com AT
  • Relatórios de auditoria: pista de auditoria (journal de transacções)
  • Integração contabilística: ligação com software de contabilidade

4. Segurança de dados

O programa deve garantir:

  • Encriptação de dados em trânsito e em repouso
  • Cópias de segurança automáticas e redundantes
  • Controlo de acesso com autenticação multi-factor
  • Conformidade com RGPD (Regulamento Geral sobre a Protecção de Dados)
  • Política clara de retenção de dados

5. Suporte técnico e formação

Verifique se o fornecedor disponibiliza:

  • Suporte ao cliente em português, preferencialmente 24/7
  • Documentação e tutoriais actualizados
  • Webinars ou sessões de formação gratuitas
  • Actualizações regulares conforme mudanças legislativas

Análise comparativa dos principais softwares certificados em Portugal

Software Certificação AT Preço mensal (aprox.) Modelo SAF-T Suporte PT
Moloni Sim €19 - €99 Cloud Sim Sim, via chat
Sage 50 Sim €40 - €150 Desktop + Cloud Sim Sim, telefone e email
Zeus Sim €30 - €120 Cloud Sim Sim, suporte dedicado
Primavera Sim €100 - €500+ Cloud/On-Premise Sim Sim, telefone e técnico
Detalhe Sim €25 - €80 Cloud Sim Sim, via chat

Nota: Os preços acima são ilustrativos e podem variar consoante o plano contratado, número de utilizadores e funcionalidades adicionais. Consulte o fornecedor para informações actualizadas.

Passo a passo: como escolher o melhor para si

Passo 1: Defina as suas necessidades

Pergunte-se:

  • Quantas facturas emito por mês? (Grande volume = software mais robusto)
  • Trabalho com moeda estrangeira ou clientes internacionais?
  • Preciso de integração com contabilidade?
  • Necessito de faturaçao recorrente ou de projectos específicos?
  • Quantos utilizadores acedem simultaneamente ao software?

Passo 2: Verifique a certificação oficial

Aceda a www.portaldasfinancas.gov.pt e procure a lista de software certificado. Confirme que o programa está listado e a data da certificação é recente (menos de 3 anos).

Passo 3: Compare funcionalidades versus custo

Nem sempre o mais caro é o melhor. Uma empresa pequena ou freelancer pode não necessitar de todas as funcionalidades de um ERP enterprise. Compare o que realmente usa com o preço mensal ou anual.

Passo 4: Teste a interface e usabilidade

A maioria dos fornecedores oferece período de teste gratuito (geralmente 14-30 dias). Utilize este tempo para testar:

  • Facilidade de emissão de uma factura
  • Navegação intuitiva e layout limpo
  • Velocidade de processamento
  • Qualidade do suporte técnico (teste enviando uma dúvida)

Passo 5: Consulte referências e análises

Procure avaliações de utilizadores em plataformas como Capterra, G2 ou fóruns portugueses. Fale com colegas do sector sobre a sua experiência.

Passo 6: Negocie contrato e suporte

Antes de assinar, esclareça:

  • Período de contrato e cláusulas de rescisão
  • Tempo de resposta do suporte técnico
  • Política de actualizações e migrações de dados
  • Custos adicionais (utilizadores extra, módulos, etc.)

Erros comuns a evitar

1. Não verificar a certificação: Utilizar um software não certificado é um risco fiscal elevado. Sempre confirme.

2. Escolher apenas pelo preço: Um software barato que não emite relatórios SAF-T corretos pode sair muito caro em multas.

3. Ignorar a escalabilidade: Se escolher um programa muito básico, poderá ter de migrar dados quando a sua empresa crescer.

4. Não testar antes de comprar: Aproveite os períodos de teste. A interface é importante — se for difícil de usar, a produtividade sofrerá.

5. Negligenciar o suporte técnico: Quando tem uma dúvida fiscal ou um problema técnico, precisa de ajuda rápida. Escolha fornecedores com bom suporte.

Implementação e transição

Depois de escolher o software, a implementação é crítica. Recomenda-se:

  1. Importação de dados históricos: Se migra de outro sistema, garanta que todos os clientes, fornecedores e facturas anteriores são importados correctamente.
  2. Configuração de parâmetros fiscais: Defina correctamente taxas de IVA, retenção na fonte, e-mail de recibos, etc.
  3. Formação da equipa: Certifique-se de que quem usa o software sabe emitir facturas correctamente.
  4. Período de teste em paralelo: Emita facturas em ambos os sistemas durante um mês, para garantir que tudo funciona.
  5. Envio de SAF-T de teste à AT: Alguns fornecedores disponibilizam um ambiente de teste. Use-o.

Dica prática: Se emitiu 500 facturas em 2025 com um software não certificado, pode estar exposto a sanções. Migre assim que possível para um programa certificado e considere regularizar a situação com a AT através de um consultor fiscal.

Actualização legislativa 2025/2026

Até ao momento de redacção deste artigo (Junho de 2026), destacam-se as seguintes actualizações relevantes:

  • e-Invoicing obrigatória em B2B: Desde 2023 que a facturação electrónica é obrigatória entre empresas em Portugal. Certifique-se de que o seu software cumpre estes requisitos (emissão em formato estruturado, quando solicitado).
  • VIES e SAC: As operações intracomunitárias e regime de autoliquidação continuam a requerer registos correctos. O software deve facilitar estas declarações.
  • Regime da Caixa: Pequenas empresas no regime da caixa têm requisitos específicos. O software deve permitir configurar isto correctamente.

Conclusão e próximos passos

A escolha de um programa de facturação certificado pela AT é um investimento na conformidade, eficiência e tranquilidade da sua empresa. Não é uma decisão para tomar

Precisa de apoio fiscal para a sua empresa?

A equipa da Alcoescrita está disponível para esclarecer dúvidas e optimizar a sua situação fiscal.

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